ASPECTOS REPRODUTIVOS DE MEXILHÕES (BIVALVIA, MOLLUSCA) NO COMPLEXO ESTUARINO DE PARANAGUÁ, PARANÁ, BRASIL

 

Susete Wambier CHRISTO¹; Augusto Luiz FERREIRA-JR 2; Theresinha Monteiro ABSHER 3

 

RESUMO

Este trabalho teve como finalidade estudar o período reprodutivo dos mariscos (Mytella guyanensis e Mytella charruana) no Complexo Estuarino de Paranaguá (CEP). Foram coletados mensalmente 30 indivíduos adultos de cada espécie durante agosto de 1999 a julho de 2000. Os indivíduos foram mensurados, pesados e abertos mecanicamente pela secção dos músculos adutores. Posteriormente foram identificados o sexo e o estágio reprodutivo. Calculados os índices de condição (IC) e o rendimento da carne (R). Os dados do IC indicaram média de 13,25% (± 6,95) para M. guyanensis e de 17,65% (± 12,11) para M. charruana. Para o R, observou-se média de 43,68% (± 10,15) para M. guyanensis e de 51,22% 28 (± 8,64) para M. charruana. Os estudos da reprodução permitem concluir que a eliminação de gametas ocorre parcialmente para as duas espécies, com dois períodos mais elevados de desova no ano.

Palavras-chave: Mytella guyanensis; Mytella charruana; índice de condição; rendimento da carne; reprodução.

 

REPRODUCTIVE ASPECTS OF MUSSELS (BIVALVIA, MOLLUSCA) IN THE PARANAGUÁ ESTUARINE COMPLEX, PARANÁ, BRAZIL

 

ABSTRACT

The objective of this work was to study the reproductive period of the shellfishes (Mytella guyanensis and Mytella charruana) in the Paranaguá Estuarine Complex (CEP). Thirty adult individuals of each species were collected monthly during August/1999 to July/2000. The organisms were measured, weighed and opened mechanically by sectioning the adductor muscles. Sex identification and reproductive stage were evaluated and the condition (IC) and meat yield (MY) indexes were calculated. IC results indicated annual average of 13.25% (±6.95) for M. guyanensis and of 17.65% (±12.11) for M. charruana. For R, average of 43.68% (±10.15) was observed for M. guyanensis and of 51.22% (±8.64) for M. charruana. Results of the reproductive studies allow to conclude that the gametes elimination occurs partially for the two species, with two higher periods of spawning in the year.

Key words: Mytella guyanensis; Mytella charruana; condition index; meat yield; reproduction.

 

 Nota científica: Recebido em 22./02 /2016 – Aprovado em 27/11/2016

1 Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Departamento de Biologia Geral. Av. Carlos Cavalcante, 4748 – Uvaranas – CEP: 84030-900 – Ponta Grossa – Paraná - Brasil. e-mail: swchristo@hotmail.com (autor correspondente)

2 Pesquisador colaborador da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Departamento de Biologia Geral. Av. Carlos Cavalcante, 4748 – Uvaranas – CEP: 84030-900 – Ponta Grossa – Paraná - Brasil. e-mail: augustolferreirajr@gmail.com

3 Universidade Federal do Paraná (UFPR). Av. Beira Mar, s/n - Pontal do Sul – CEP: 83255-000 – Pontal do Paraná – PR – Brasil. e-mail: tmabsher@ufpr.br

 

 

 

Nota científica: Recebido em 22./02 /2016 – Aprovado em  27/11/2016

[1] Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Departamento de Biologia Geral. Av. Carlos Cavalcante, 4748 – Uvaranas – CEP: 84030-900 – Ponta Grossa – Paraná - Brasil. e-mail: swchristo@hotmail.com  (autor correspondente)

2 Pesquisador colaborador da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Departamento de Biologia Geral. Av. Carlos Cavalcante, 4748 – Uvaranas – CEP: 84030-900 – Ponta Grossa – Paraná - Brasil. e-mail: augustolferreirajr@gmail.com 

3 Universidade Federal do Paraná (UFPR). Av. Beira Mar, s/n - Pontal do Sul – CEP: 83255-000 – Pontal do Paraná – PR – Brasil. e-mail: tmabsher@ufpr.br 


INTRODUÇÃO

A maricultura geralmente está associada à finalidade de comercialização. Atualmente, as várias pesquisas realizadas sobre este assunto vêm contribuindo para um melhor conhecimento do aproveitamento e exploração dos recursos marinhos, principalmente em regiões onde a procura de novas fontes de alimento vem aumentando (CAVALLI e FERREIRA, 2010). Moluscos bivalves são mundialmente procurados pelo seu sabor, facilidade de captura e preparo, podendo até mesmo serem ingeridos "in natura" (WAKAMATSU, 1975; ANACLETO et al., 2010). Dentre as espécies de moluscos cultivados no mundo, os mexilhões representam 14,3% desta produção, sendo que as espécies cultivadas da família Mytilidae representam aproximadamente 1.700.000 toneladas por ano (LOVATELLI et al., 2008; FAO, 2014). No Brasil, encontramos diversas espécies desta família como Perna perna (LINNAEUS, 1758), Mytilus edulis LINNAEUS, 1758, Modiolus carvalhoi (KLAPPENBACH, 1966), Brachidontes exustus (LINNAEUS, 1758), Mytella charruana (D'ORBIGNY, 1842) e Mytella guyanensis (LAMARCK, 1819), (RIOS, 2009).

O estudo da reprodução de espécies nativas é importante para fornecer informações sobre maturação gonadal, época de desova, estimativas do período larval e fixação de larvas (ABSHER, 1989). Entre os vários métodos empregados para melhor determinar a época reprodutiva de moluscos marinhos está o índice de condição que é associado às fases de maturação sexual dos organismos, onde envolve uma grande demanda de glicogênio necessária ao desenvolvimento gonadal; este acúmulo de gametas é caracterizado como aspecto "gordo" do molusco (ABSHER, 1989; LENZ e BOEHS, 2011). Outro método utilizado é o índice de rendimento da carne. Além de descrever o período reprodutivo, este método é utilizado em sistemas de cultivo, pois indica a melhor época para a colheita e melhor aproveitamento da produção da carne destes organismos (ABSHER e CHRISTO, 1993). Para os processos reprodutivos, deve-se considerar também fatores abióticos, especialmente a temperatura que influencia diretamente a maturação sexual de organismos marinhos que habitam regiões tropicais, onde a gametogênese ocorre ao longo de todo o ano, com picos de desova anual, coincidindo com a elevação da temperatura da água na primavera (ABSHER, 1989; BOEHS-SILVA e ABSHER, 1996; BOEHS et al., 2008).

Dentre os bivalves comestíveis explorados no litoral do Paraná, destacam-se, além da ostra, Mytella guyanensis e Mytella charruana, conhecidos pela população costeira como "sururu" e "bacucu", respectivamente. Estudos sobre as características morfométricas, reprodutivas e ecologia poderiam contribuir para subsidiar a gestão dos estoques naturais (ABSHER, 1989; GIL et al., 2007), especialmente no litoral paranaense onde os estudos são escassos e a exploração dos recursos marinhos são um atrativo para a população litorânea. 

Estas espécies distribuem-se do México à Argentina (RIOS, 2009), habitam ambientes estuarinos (PEREIRA et al., 2003) e apresentam alto índice de sobrevivência quando expostos a grandes variações de salinidade (ONODERA, 2012). São consumidos como alimento em toda costa brasileira, pois constituem importante fonte de proteína (FREITAS et al., 2012). As espécies do gênero Mytella despontam como uma fonte promissora de cultivo devido à crescente demanda por mariscos no mercado consumidor (PEREIRA et al., 2003; FREITAS et al., 2012), porém, a "catação" é feita sem controle e não se tem registros estatísticos sobre a exploração de mexilhões, assim como de outros moluscos no litoral paranaense.  Além disto, pouco se sabe sobre aspectos reprodutivos das espécies do gênero Mytella, como período reprodutivo e proporção sexual.  Portanto, este trabalho teve como objetivo estudar aspectos reprodutivos dos mariscos (Mytella guyanensis e Mytella charruana) na Baía de Paranaguá e relacioná-los aos parâmetros ambientais (temperatura e salinidade da água do mar).

MATERIAL E MÉTODOS

Área de estudo

O Complexo Estuarino de Paranaguá (CEP) é o maior sistema estuarino do estado do Paraná. A leste, o complexo sofre influência do oceano através das barras Norte e Galheta; a Sueste é circundado por bacias hidrográficas com cerca de 3.361 km². A Baía de Paranaguá (23°14'S - 48°10'W a 25°35'S - 48°45'W) é um dos cinco setores estuarinos do CEP e se caracteriza por vários rios desaguando em sua área (NOERNBERG et al., 2006). Associados a sua foz, estes rios possuem extensas áreas de planícies entre marés e manguezais (NOERNBERG et al., 2006), sendo o rio Emboguaçu, o local onde foram realizadas as coletas  (Figura 1).

Metodologia

No período de agosto de 1999 a julho de 2000 foram retirados manualmente, mensalmente, 30 indivíduos adultos de cada espécie estudada na maré baixa de sizígia. Paralelamente foram monitoradas a salinidade, com refratômetro QA Supplies, modelo 121 MT - 100 ATC, e a temperatura da água do mar, com termômetro de mercúrio (escala 1/100 122 °C).


Figura 1. Localização da área de estudo e pontos de coleta no rio Emboguaçu, Complexo Estuarino de Paranaguá - Paraná.  - Mytella guyanensis (M.g.);  - Mytella charruana (M.c.).


Os indivíduos coletados manualmente foram levados para o Laboratório de Cultivo de Moluscos do Centro de Estudos do Mar - UFPR, onde foram mensurados utilizando um paquímetro (precisão 0,01 mm) a altura (A), o comprimento (C) e a largura (L) da concha (Figura 2), segundo descrições conquilio malacológicas de OLIVEIRA e OLIVEIRA (1974):


Figura 2. Mensuração da concha de mexilhões no rio Emboguaçu, Complexo Estuarino de Paranaguá, Paraná. M.g. - Mytella guyanensis; M.c. - Mytella charruana; A: altura; C: comprimento; U: umbo.

           


Após as mensurações, os organismos foram pesados (peso bruto – PB), utilizando-se balança (precisão 0,001 g) e, sequencialmente foram abertos mecanicamente pela secção dos músculos adutores. A identificação do sexo (macho, fêmea e indeterminado) foi verificada por observação do tecido gonadal em microscópio óptico e o estágio reprodutivo por análise macroscópica, utilizando a classificação do estágio reprodutivo que se caracteriza em: cheio (C) - gônadas totalmente cheias; parcialmente cheio (PC) - gônadas parcialmente desenvolvidas; parcialmente vazio (PV) - esvaziamento parcial das gônadas e vazio (V) – gônadas totalmente vazias com dificuldade de identificação do sexo; (adaptada de LUNETTA, 1969; CHRISTO e ABSHER, 2006).

Posteriormente, o peso úmido da carne (PUCa) dos indivíduos foram pesados separadamente e o peso úmido da concha (PUCo) foi obtido subtraindo-se PUCa do PB. As partes moles (carne) de cada espécime foram mantidas em estufa a 80°C, por 24 horas, para obter o peso seco da carne (PSCa). Além das identificações macroscópicas, os índices de condição (IC) e rendimento (R) foram calculados para determinar a época da reprodução das duas espécies, segundo ABSHER e CHRISTO (1993):

                                                                      

 

Sendo: PSCa: peso seco da carne dos organismos; PUCo: peso úmido da concha dos organismos (PUCo=PB-PUCa); PUCa: peso úmido da carne dos organismos; PB: peso bruto dos organismos.

A frequência relativa (Fr) foi utilizada para caracterizar o sexo e o estágio reprodutivo. O teste de X2 foi empregado para avaliar diferenças entre a proporção sexual das duas espécies durante o ano. A ANOVA bi-fatorial (meses e espécies) foi empregada para evidenciar possíveis diferenças das características (IC e IR); o teste post-hoc de Student-Newman-Keuls (SNK) foi efetuado para identificar possíveis diferenças entre cada mês. Análises de correlação foram empregadas para avaliar a associação entre altura, comprimento e peso dos mexilhões. Uma análise de regressão múltipla foi efetuada para avaliar a influência dos parâmetros ambientais (temperatura e salinidade) sobre os parâmetros reprodutivos (rendimento e índice de condição). Uma análise de correlação de Pearson (p<0,05) foi efetuada entre peso bruto, comprimento, altura e largura da concha. Estas análises foram efetuadas utilizando o programa Statistica (versão 10 demo).

RESULTADOS

Os resultados da biometria e biomassa de M. guyanensis e M. charruana ao longo do ano estão apresentados na Tabela 1. A temperatura da água no período das amostragens oscilou de 17 °C (inverno) a 28°C (verão) com uma variação anual de 11°C, enquanto que a salinidade registrada variou de 21 a 29 (Tabela 1). As análises de correlações efetuadas entre peso bruto, comprimento, altura e largura da concha indicaram associações positivas, tendo uma maior associação entre os parâmetros avaliados na espécie Mytella guayanensis comparada com a M. charruana (Figura 3).


 

 

 

 

 

 

 

 

Tabela 1 - Caracterização dos parâmetros ambientais (S–salinidade; T–temperatura), médias da biometria da concha (A–altura; C–comprimento; L-largura) e biomassa (PB-peso bruto; PUCa-peso úmido da carne) dos mexilhões no rio Emboguaçu, Complexo Estuarino de Paranaguá, Paraná. DP – Desvio padrão.

 

Coletas

 

S

T(°C)

Biometria

Biomassa

 

 

A (mm)

(±DP)

C (mm)

(±DP)

L (mm)

(±DP)

PB (g)

(±DP)

PUCa (g)

(±DP)

 

ago/99

 

24,0

17,0

38,48(±0,92)

18,46(±0,44)

13,72(±0,62)

3,17(±0,24)

1,07 (±0,88)

 

set/99

 

23,0

19,0

43,09(±0,83)

20,40(±0,34)

14,48(±0,23)

4,43(±0,21)

2,01(±0,15)

 

out/99

 

21,0

24,0

46,14(±0,94)

22,86(±0,52)

16,25(±0,74)

6,32(±0,39)

2,67(±0,15)

 

nov/99

 

22,0

25,0

48,95(±0,91)

24,26(±0,45)

18,24(±0,39)

6,62(±0,47)

2,85(±0,18)

 

dez/99

 

22,0

24,0

47,58(±1,07)

22,34(±0,50)

17,15(±0,50)

7,09(±0,58)

3,23(±0,26)

 

jan/00

 

28,0

28,0

54,80(±1,09)

26,42(±0,76)

19,05(±0,57)

7,23(±0,47)

2,08(±0,17)

 

fev/00

 

26,0

28,0

49,03(±0,85)

23,31(±0,54)

16,52(±0,26)

5,72(±0,22)

2,28(±0,09)

 

mar/00

 

26,0

26,0

49,96(±0,86)

24,44(±0,54)

17,48(±0,26)

6,60(±0,34)

3,27(±0,12)

 

abr/00

 

27,0

24,0

48,74(±0,82)

24,31(±0,31)

17,52(±0,41)

7,16(±0,32)

3,60(±0,12)

 

mai/00

 

29,0

25,0

47,91(±0,82)

23,46(±0,32)

16,61(±0,39)

6,33(±0,46)

2,61(±0,25)

 

jun/00

 

22,0

18,0

50,57(±0,80)

25,13(±0,48)

18,02(±0,56)

8,83 (±0,27)

4,40(±0,27

 

jul/00

 

21,0

18,0

48,75(±0,81)

23,28(±0,48)

16,19(±0,44)

7,89(±0,28)

3,87(±0,15)

 

1999/2000(±DP)

 

24,3(±2,83)

24,0(±3,95)

47,83(± 6,19)

23,22(± 3,33)

16,77(± 2,99)

6,45(±2,53)

2,83(±1,29)

 

 

Coletas

 

S

T(°C)

Biometria

Biomassa

 

A (mm)

(±DP)

C (mm)

(±DP)

L (mm)

(±DP)

PB (g)

(±DP)

PUCa (g)

(±DP)

ago/99

 

24,0

17,0

50,34(±1,43)

20,92(±0,44)

15,69(±0,44)

7,15(±027)

3,79(±0,15)

set/99

 

23,0

19,0

53,02(±0,54)

21,23(±0,24)

16,42(±0,39)

7,54(±0,28)

3,86(±0,16)

out/99

 

21,0

24,0

51,45(±0,63)

20,61(±0,25)

15,79(±0,28)

6,90(±0,28)

3,64(±0,18)

nov/99

 

22,0

25,0

49,66(±0,72)

19,26(±0,29)

15,31(±0,30)

6,59(±0,33)

3,38(±0,18)

dez/99

 

22,0

24,0

47,89(±0,53)

19,54(±0,23)

14,79(±0,23)

5,50(±0,19)

2,68(±0,11)

jan/00

 

28,0

28,0

46,30(±0,57)

19,61(±0,38)

14,47(±0,21)

4,23(±0,15)

1,83(±0,08)

fev/00

 

26,0

28,0

44,06(±0,63)

19,38(±0,61)

14,66(±0,31)

4,05(±0,13)

1,88(±0,09)

mar/00

 

26,0

26,0

44,18(±0,62)

19,49(±0,59)

15,20(±0,37)

4,20(±0,15)

1,90(±0,08)

abr/00

 

27,0

24,0

44,13(±0,56)

19,72(±0,58)

14,67(±0,22)

4,19(±0,13)

2,29(±0,09)

mai/00

 

29,0

25,0

43,63(±0,60)

19,11(±0,56)

14,12(±0,22)

3,89(±0,13)

1,89(±0,07)

jun/00

 

22,0

18,0

44,76(±0,58)

19,36(±0,50)

14,88(±0,24)

5,37(±0,23)

2,97(±0,15)

jul/00

 

21,0

18,0

43,74(±0,59)

18,38(±0,54)

13,91(±0,24)

4,56(±0,21)

2,89(±0,12)

1999/2000(±DP)

 

24,3(±2,83)

24,0(±3,95)

46,93(± 5,02)

19,71(± 2,59)

14,99(± 1,74)

5,35(±1,76)

2,75(±1.03)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 g

 

Figura 3. Correlação dos parâmetros biométricos e de biomassa dos mexilhões no rio Emboguaçu, Complexo Estuarino de Paranaguá, PR.


  Num total de 360 indivíduos examinados para ambas as espécies, observou-se uma proporção sexual (PS) de 1,72 machos para cada fêmea, com diferenças significativas na PS de M. guyanensis durante fevereiro de 2000 (Tabela 2).


           
Tabela 2 - Caracterização das proporções sexuais dos mexilhões no rio Emboguaçu, Complexo Estuarino de Paranaguá, PR. N – número amostral; M – macho; F – fêmea; I – indeterminado; PS – proporção sexual; X2 – teste de estatístico; p – p valor; * diferença estatística (p<0,05).

 

Coletas

 

Mytella guyanensis

 

Mytella charruana

 

N

Sexo

PS

X2

p

 

N

Sexo

PS

X2

P

 

M

F

I

 

M

F

I

ago /99

 

30

5

4

21

1,25:1

5,26

0,535

 

30

21

9

0

2,33:1

1,04

0,094

set / 99

 

30

12

9

9

1,33:1

1,04

0,414

 

30

19

11

0

1,73:1

0,35

0,217

out /99

 

30

18

12

0

1,50:1

0,15

0,302

 

30

21

9

0

2,33:1

1,04

0,094

nov /99

 

30

20

10

0

2,00:1

0,64

0,147

 

30

19

11

0

1,73:1

0,35

0,217

dez /99

 

30

20

10

0

2,00:1

0,64

0,147

 

30

16

6

8

2,67:1

3,05

0,086

jan / 00

 

30

7

9

14

0,78:1

1,04

0,463

 

30

12

11

7

1,09:1

0,35

0,548

fev/ 00

 

30

16

3

11

5,33:1

6,72

0,015 *

 

30

12

12

6

1,00:1

0,15

0,608

mar/00

 

30

21

9

0

2,33:1

1,04

0,094

 

30

13

13

4

1,00:1

0,04

0,605

abr /00

 

30

19

11

0

1,73:1

0,35

0,217

 

30

21

9

0

2,33:1

1,04

0,094

mai/00

 

30

20

10

0

2,00:1

0,64

0,147

 

30

21

9

0

2,33:1

1,04

0,094

jun /00

 

30

15

11

4

1,36:1

0,35

0,380

 

30

18

12

0

1,50:1

0,15

0,302

jul / 00

 

30

14

11

5

1,27:1

0,35

0,432

 

30

19

11

0

1,73:1

0,35

0,217

1999/2000

 

360

187

109

64

1,72:1

-

-

 

360

212

123

25

1,72:1

-

-

 


Outra observação identificada em ambas às espécies foi à diferenciação sexual da coloração da estrutura dos folículos e gametas nas gônadas, onde pode-se observar que os machos apresentam uma coloração que varia de branco-leitoso à marrom claro, enquanto que as fêmeas apresentam uma coloração que varia de alaranjada à vermelha parda. 

Ao longo do período foram observados indivíduos com gônadas cheias e parcialmente cheias (C e PC) em ambas as espécies, porém, na população de M. guyanensis, obteve-se uma frequência alta de gônadas cheias (C) e parcialmente cheias (PC) de outubro a dezembro de 1999 (100 a 93,3% dos indivíduos) e maio de 2000 (53,3% dos indivíduos) (Figura 4). Para M. charruana, obteve-se resultado semelhante, porém a repleção das gônadas ocorreu nos meses de setembro a novembro de 1999 (100% dos indivíduos) e março a maio de 2000 (60 a 93,3% dos indivíduos) (Figura 5). A maior frequência de indivíduos com esvaziamento gonadal total (V) e parcial (PV) seguiu-se aos meses de pico de repleção gonadal, para ambas as espécies. 


 


Figura 4. Caracterização do estágio de repleção das gônadas de Mytella guyanensis no rio Emboguaçu, Complexo Estuarino de Paranaguá, PR. V – vazio; PV – parcialmente vazio; PC – parcialmente cheio; C – cheio.

Figura 5. Caracterização do estágio de repleção das gônadas de Mytella charruana no rio Emboguaçu, Complexo Estuarino de Paranaguá, PR.; V – vazio; PV – parcialmente vazio; PC – parcialmente cheio; C – cheio.


  Os dados relativos ao índice de condição indicaram média, durante o ano, de 13,25 % (± 6,95) para M. guyanensis e de 17,65 % (± 12,11) para M. charruana, com diferenças significativas entre as espécies nos meses de agosto de 1999 e julho de 2000 (p<0,01). Para ambas as espécies observaram-se diferenças significativas (p<0,01) entre os meses do ano (Tabela 3; Figura 6).


 

Tabela 3 - Análise estatística bi-fatorial (espécies e meses) do Índice de Condição e Rendimento da carne de Mytella guyanensis e M. charruana no rio Emboguaçu, Complexo Estuarino de Paranaguá, PR. GL – Grau de liberdade; * diferenças significativas (p<0,05).


Índice de Condição

Fator

GL

F

P

Espécies

01

46,90

<0,0001 *

Meses

11

  1,40

<0,0001 *

Espécies*Meses

11

  4,42

<0,0001 *

Rendimento da carne

Fator

GL

F

p

Espécies

01

 191,58

<0,0001 *

Meses

11

   33,93

<0,0001 *

Espécies*Meses

11

   11,29

<0,0001 *


 

CI

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 6. Variação da média dos índices de condição (IC) no rio Emboguaçu, Complexo Estuarino de Paranaguá, PR. : média e desvio padrão; quadrado preto - diferença estatística entre as espécies no mês (p<0,05).


Para o índice de rendimento observou-se média anual de 43,68% (± 10,15) para M. guyanensis e de 51,22% (± 8,64) para M. charruana, com diferenças entre as espécies na maioria dos meses estudados (Tabela 3), exceto em dezembro de 1999, março, abril e junho de 2000 (p>0,05). Para ambas as espécies observaram-se diferenças (p<0,01) entre os meses do ano (Figura 7).


RI

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 7. Variação da média dos índices de rendimento da carne (R) no rio Emboguaçu, Complexo Estuarino de Paranaguá, PR. : média e desvio padrão; quadrado preto - diferença estatística entre as espécies no mês (p<0,05).

 


A análise de regressão múltipla mostrou associação (R=0,79; R2=0,50) dos parâmetros ambientais (temperatura e salinidade) com as características reprodutivas (rendimento e índice de condição), mas sem diferenças estatísticas (F=4,69; p=0,03) durante o intervalo deste estudo.

DISCUSSÃO

O detalhamento das características biométricas da concha é importante, pois são a partir delas que são avaliadas as classes de tamanho de início de maturação de uma população de bivalve e o tamanho de exploração de um estoque (GIL et al., 2007a; b). A biometria da concha em mitilídeos difere um pouco em relação a outros bivalves marinhos (MARQUES, 1997). Nem todas as espécies presentes na família Mytilidae possuem a localização terminal do umbo (caso de Perna perna e Mytella charruana), algumas possuem o umbo deslocado e caracterizado como subterminal (caso de Mytella guyanensis) (RIOS, 2009; ABSHER et al., 2015). GALTSOFF (1964) descreve para Crassostrea virginica a altura da concha como a medida entre o umbo e a extremidade oposta da concha e o comprimento como a medida entre as extremidades anterior e posterior da concha. Esta mesma biometria é observada em GIL et al., (2007a; b) para bivalves infaunais brasileiros e espanhóis. MARQUES (1997) descreve para Perna perna a altura da concha como a medida entre as extremidades anterior e posterior da concha e o comprimento como a medida entre o umbo e a extremidade oposta da concha. OLIVEIRA e OLIVEIRA (1974) definem em seu dicionário conquilio malacológico: “Altura – em conquiliometria é a distância que vai da margem ventral ao umbo da concha bivalva; já na concha gastrópoda é a distância que vai do ápice à parte anterior do canal sifonal (quando presente). Comprimento – Na bivalva é a distância que vai da margem anterior à posterior, e na concha gastropoda, a que vai do ápice ao bordo anterior.”, independente da espécie de bivalve. Esta heterogeneidade das dimensões de tamanho em mitilídeos dificulta a comparação de taxas de crescimento durante os estágios de vida das espécies de mexilhões (CRUZ e VILALOBOS, 1993; NISHIDA e LEONEL, 1995; PATERNOSTER, 2003; PERREIRA et al., 2003; 2007; SANTOS et al., 2010), que poderá afetar a elaboração de programas de exploração sustentável dos estoques locais das espécies de Mytella no Brasil.

Para não efetuar comparações inadequadas da biometria da concha uma padronização foi efetuada considerando como comprimento da concha a medida entre as extremidades anterior e posterior e altura a medida entre o umbo e a extremidade oposta independente do estágio de vida dos animais.  Diversos trabalhos consideram o comprimento da concha em mitilídeos a sua maior dimensão (CRUZ e VILALOBOS, 1993; NISHIDA e LEONEL, 1995; PATERNOSTER, 2003; PERREIRA et al., 2003; 2007; SANTOS et al., 2010), diferentemente ao observado neste trabalho onde foi obtido a altura como maior dimensão da concha. 

A altura média da concha foi de 47,83 mm para M. guyanensis e de 46,93 mm para M. charruana. Maior porcentagem de animais com valores acima de 40 mm da maior dimensão (descrito como comprimento) foram reportados para populações de  M. guaynensis no litoral da Costa Rica (CRUZ e VILALOBOS, 1993), nordeste (NISHIDA e LEONEL, 1995), sudeste (PERREIRA et al., 2003; 2007) e sul (PATERNOSTER, 2003) do Brasil. Para M. charruana foram identificados maior porcentagem de animais com valores acima de 40 mm da maior dimensão (descrito como comprimento) na costa norte (SANTOS et al., 2010) e sudeste (PERREIRA et al., 2003; 2007) do Brasil. CRUZ e VILALOBOS (1993)  descreve o início da maturação sexual de em animais com valores acima de 18 mm da maior dimensão (descrito como comprimento) em populações da  M. guyanensis na Costa Rica.  Esta mesma espécie possui início de maturação sexual com valores acima de 21 mm da maior dimensão (descrito como comprimento) no sudeste do Brasil (PERREIRA et al., 2003; 2007). Em ambas as espécies de Mytella estudadas na costa paranaense, observou-se que todos os espécimes possuíam valores acima de 25 mm na maior dimensão (descrito como altura), indicando que todos os animais avaliados haviam ultrapassado o tamanho de início de maturação descrito para o gênero Mytella.

Todas as correlações avaliadas entre a biomassa e biometria das conchas dos mexilhões indicaram associações positivas, tendo Mytella guyanensis uma forte relação e M. charruana uma média relação. SANTOS et al. (2010) estudando três bancos de M. charruana no norte do Brasil também identificou uma correlação positiva média entre comprimento da concha (maior dimensão) e peso seco da carne.

Para as duas espécies de mexilhões estudados observou-se um leve desvio na proporção sexual de machos. SIBAJA-CASTILLO (1986) identificou em um banco de Mytella guyanensis a proporção sexual de 1 macho : 3,4 fêmeas no litoral da Costa Rica.  Nesta mesma região posteriormente foi identificada a proporção sexual de 1 macho : 1 fêmea (222 machos, 227 fêmeas)  (CRUZ e VILALOBOS, 1993). Esta mesmo proporção sexual foi identificada para espécie no manguezal do rio Tavares – Florianópolis/SC (234 machos, 241 fêmeas) e no manguezal do estuário Caeté – Pará (72 machos, 77 fêmeas) (PATERNOSTER, 2003; GOMES et al., 2009). A diferença observada no presente estudo com os bancos avaliados na Costa Rica e em outras regiões do Brasil pode estar relacionada à exploração contínua dos bancos monitorados e nas diferenças metodologias aplicadas para a identificação sexual.

Os estudos do ciclo reprodutivo das espécies do gênero Mytella indicam uma reprodução contínua ao longo do ano, com dois ápices de desova: (1) - no final da primavera (novembro e dezembro de 1999) e início e do verão (janeiro 2010); (2) - no final do outono (maio de 2000) e início de inverno (junho 2000). Essas análises coincidem com os resultados obtidos para moluscos bivalves no litoral paranaense, para ostras do gênero Crassostrea (CHRISTO e ABSHER, 2006); para o Venerideo Venus antigua KING e BRODERIP, 1835 (BORZONE, 1992); para Tagelus divisus SPLENGER, 1794 (CHRISTO et al., 2012); para Anomalocardia brasiliana GMELIN,1791 (BOEHS et al., 2008; FERREIRA-JR et al., 2015). Segundo BOEHS et al. (2008), organismos que habitam latitudes entre 12° e 25° da costa brasileira apresentam este tipo de comportamento reprodutivo. Em outras regiões do mundo também pode-se identificar este padrão reprodutivo em espécies da família Mytilidae que se encontram nestas latitudes (12° a 25°), tanto no hemisfério norte quanto no sul (PATERNOSTER, 2003; CABAÑAS et al., 2010; AVENDAÑO e CANTILLÁNEZ, 2013).

Anteriormente ao período de desova (finais da primavera e outono), ambas as espécies de Mytella apresentaram um maior percentual de indivíduos com gônadas totalmente repletas de gametas, porém uma parcela dos indivíduos ainda estava em fase de restauração gonadal (parcialmente vazia). Este fato indica que não ocorre uma eliminação massiva de gametas nas duas espécies para as populações estudadas e que nem todos os indivíduos entram em reprodução ao mesmo tempo. Esta característica foi observada nos períodos de verão - inverno (dezembro de 1999 a fevereiro de 2000 – junho e julho de 1999 e agosto de 2000). CALDEIRA e CHRISTO (2010) relatam comportamento reprodutivo para espécies de Mitilídeos, similar aos resultados obtidos neste trabalho para as duas espécies do gênero Mytella na Baía de Paranaguá.

PATERNOSTER (2003), no litoral catarinense, identificou para Mytella guyanensis reprodução contínua, com grande eliminação de gametas ocorrendo de agosto a outubro de 1999. Este período coincide com os encontrados neste estudo, no qual se verificou dois períodos com uma maior repleção das gônadas (1 - de setembro a dezembro de 1999; 2 – fevereiro a maio de 2000) e dois com eliminação de gametas durante o início do verão (janeiro de 2000) e inverno (junho de 2000). A reprodução contínua também foi observada no estado da Paraíba, região nordeste do Brasil (GROTTA e NISHIDA, 1983).

Uma menor repleção das gônadas (associada à desova) foi observada durante os meses com temperaturas mais elevadas do ano para ambas as espécies. Estas condições também foram identificadas para M. guyanensis no litoral catarinense (PATERNOSTER, 2003). A relação de aumento das temperaturas durante o ano e atividades de gametogênese (desova) também foram observadas para outras espécies de Mitilídeos no Chile (CABAÑAS et al., 2010; AVENDAÑO e CANTILLANEZ, 2013).

CONCLUSÕES

Os resultados do estudo da reprodução de M. guyanensis e M. charruana na Baía de Paranaguá permitem concluir que a eliminação de gametas ocorre de modo parcial, com dois períodos mais elevados de desova durante o ano. M. guyanensis apresenta períodos mais elevados de reprodução (desova) nos meses de janeiro e junho e M. charruana nos meses de dezembro e maio. Os índices do rendimento da carne e de condição indicam a melhor época para a colheita e comercialização destes organismos no inverno e início da primavera.

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