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A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolveu um estudo para incentivar o cultivo de macroalgas, importantes para fabricação de diversos produtos nas áreas cosmética, alimentícia e farmacêutica, desde seu produto bruto até o hidrolisado de glicose retirado do bagaço. A tecnologia foi apresentada pelo Instituto de Pesca (IP) da Pasta durante o Agrifutura – Inovação para o agronegócio, realizada no Instituto Biológico (IB), na capital paulista, nos dias 3 e 4 de março.

Diretor do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Instituto de Pesca, Julio Lombardi explica os ganhos que serão alcançados com essa pesquisa:

 O que é uma macroalga, para começar?

Alga são esses vegetais aquáticos que podem ser de água doce ou marinhos. Mas existem, basicamente, dois grupos: microalgas, que são às vezes microscópicas, que estão na coluna d’água; e macroalga, que são vegetais mais superiores. É pelo tamanho que se define mais.

E o que o Instituto de Pesca está estudando sobre isso?

Tem duas linhas que o IP está estudando. Uma é a tecnologia de cultivo dessa macroalga no mar, para repassar isso aos produtores e aumentar a produtividade e o lucro, visando também a questão ambiental, as boas práticas. A outra linha é a tecnologia com essa macroalga. Porque, qual é o benefício dela, a utilização? Ela é utilizada na indústria de uma forma geral. Então ela vai desde a indústria de alimentos diretamente, porque ela é comestível, a própria alga fresca ou processada, além de ter condição de ser extraído dela um ficocoloide, de um nome técnico carragena, que é basicamente uma gelatina que serve de base para fabricação de vários produtos na indústria alimentícia.  Ele é um aglutinador de origem vegetal, e não animal como é hoje em dia, mais uma vantagem de utilizar esse produto. E fora da indústria alimentícia, tem outros produtos que utilizam esse emulsificante, na indústria farmacêutica se usa bastante também, e na indústria cosmética, para preparo de remédios, de produtos de beleza e higiene.

Ou seja, pensando do ponto de vista do produtor ele tem mercado para vender esse produto?

Tem muito mercado. Hoje em dia, o Brasil importa o que está faltando no mercado interno, então é importante produzir isso. Outra sacada que o Instituto está trabalhando é que para se produzir essa carragena, a alga passa por um processamento industrial e sobra um resíduo, que é o bagaço da alga seca. O que se faz com esse bagaço? Não tem utilidade nenhuma, vira um passivo ambiental, tem que descartar e tudo mais, e é um problema sério hoje em dia. Então o Instituto, junto com o pessoal da Unesp, com a Faculdade de Farmácia de Araraquara, inventou um processo de extração de glicose, que é o hidrolisado de glicose, desse resíduo da macroalga. Esse hidrolisado é uma base, uma matriz energética que serve para a preparação de outros produtos na indústria. Essa matriz energética serve inclusive para a preparação de outros produtos na área alimentícia, farmacêutica e médica. Eu acho que há um grande caminho aí para o biocombustível: assim como existe o etanol, que é extraído a partir de cana de açúcar, a gente pode trabalhar com esse hidrolisado de glicose para produção de biocombustível.

O produtor já pode acessar esses resultados?

Essa pesquisa já foi concluída, a patente desse processo já foi depositada, com a titularidade da Unesp. Essa tecnologia já está aberta para quem quiser fazer a utilização, para que possa transferir essa tecnologia para algum interessado na indústria de produção. Ou seja, dá para ganhar com a alga, para tirar o emulsificante e, com o emulsificante, você consegue ganhar com resíduo.

Para acessar essa tecnologia basta procurar o Instituto?

Sim, vai procurar o Instituto de Pesca, que pode dar os caminhos de como transferir essa tecnologia se você estiver interessado. O telefone é o (11) 3871-7588.

Por Mariana Chagas - Comunicação SAA