Especialistas discutiram sobre os caminhos para o crescimento da produção e consumo do pescado. 

 

SÃO PAULO (DA TERRA AGRO) – Com projeções positivas para o setor aquícola, o I Workshop “Aquicultura Continental e Marinha – caminhos para o consumo responsável” destacou o potencial de crescimento da aquicultura continental no Brasil, e a importância da atividade para a preservação do setor que, embora essencial, ainda encontra barreiras para o seu desenvolvimento. O evento, que aconteceu no dia 2 de outubro, foi promovido pelo Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag) e da Francal Feiras, realizado durante a 3ª Asian & SeaFood Show, feira de gastronomia asiática, contou com a participação de cerca de 50 congressistas, entre produtores, estudantes e profissionais do setor.

A produção mundial de pescado proveniente da Aquicultura representa atualmente 97.168 toneladas, incluindo todos os produtos como moluscos, crustáceos, anfíbios, répteis (excluindo jacarés), algas, conforme dados da FAO. No Brasil, o setor demostrou crescimento nos últimos quatro anos, tendo a Piscicultura Continental registrado a produção de 392.492 toneladas em 2013, para 507.122 toneladas em 2016, um agregado total de R$ 3.264.611,00 que significa um crescimento de 1,88% frente aos valores obtidos no ano anterior.

Mas nem todas as culturas tiveram melhoria no seu desempenho, a produção de Camarão foi de 64.668 toneladas produzidas em 2013, para 52.119 toneladas em 2016, uma queda de 25,39% em relação ao produzido em 2015, que foi de 69.859 toneladas, embora os ganhos tenham apresentado crescimento de 7,45%, cerca de R$ 888.993,00, devido ao aumento dos preços do produto para os compradores. O setor de Ostras, Vieiras e Mexilhões também registrou quedas, em 2013 a produção destes produtos foi de 19.359 toneladas, atingindo em 2016 a produção de 20.829 toneladas, um total de R$ 68.480,00, valor que apresenta uma queda de 4,65% frente ao obtido em 2015, conforme indicado em pesquisa do IBGE.

Eduardo Makoto Onaka, pesquisador do Centro de Pesquisa do Pescado Continental do IP, abriu as plenárias abordando o tema “Boas Práticas de Cultivo e sua Influência na Sanidade do Pescado para Consumo Cru”. Para ele, a sanidade e o correto manejo são o principal ponto de atenção na produção do produto, pois são fatores determinantes para garantir a qualidade do pescado que chega até o consumidor.

Ainda seguindo o tema, Érika Fabiane Furlan, coordenadora da Unidade Laboratorial de Tecnologia do Pescado do Instituto de Pesca, destacou a qualidade do pescado proveniente da aquicultura. A qualidade do pescado está ligada as características sensoriais do produto, como aparência, sabor, odor e textura, mas também ao seu valor nutricional e dietético, frescor, higiene, facilidade de utilização pelo consumidor, segurança, disponibilidade, padronização, além da responsabilidade ambiental e social. Aspectos estes, mais facilmente obtidos no pescado de cultivo.

De acordo com a especialista, cerca de 70% do pescado destinado ao consumo humano é proveniente dos países em desenvolvimento, enquanto que os países desenvolvidos realizam 81% das importações do produto e seus derivados. “A solicitação desta proteína nas mesas do consumidor vem crescendo muito, e isso ocorre, principalmente, pelo aumento do apelo por alimentos saudáveis vindos do ponto final da cadeia, seja por ser uma fonte de ômega 3 ou ácidos graxos polinsaturados, light, carne magra, fonte de vitamina D, produção orgânica e livre de hormônios. Seja qual for a demanda o peixe de cultivo pode fornecer”.

Seguindo com as plenárias, Thaís Moron Machado, coordenadora do workshop, falou sobre a salmonização de filés e ovas de truta arco-íris, uma alternativa ao salmão, muito utilizado na gastronomia oriental.  Atualmente, o Chile é o principal fornecedor de salmão para o Brasil. Em 2016 o volume adquirido foi de 71,85 mil toneladas, rendendo à indústria do país US$ 466,76 milhões. Nos primeiros cinco meses de 2017, as compras foram de 30,65 mil toneladas, um crescimento de 13,54% em relação ao intervalo de janeiro a maio de 2016.

A especialista explica que a truta produzida no Brasil é comercializada no tamanho da truta porção, com pesos variando entre 250 a 300 gramas, nas formas: eviscerada congelada ou resfriada, viva (para pesqueiro), filetada congeladas, defumada e pré-cozida. “Na maioria das vezes, ela é distribuída diretamente pelo produtor em restaurantes, supermercados, peixarias e pesqueiros”, acrescenta.

Reconhecido no âmbito da maricultura no Brasil, Eduardo Gomes Sanches, pesquisador do IP, apresentou os diferentes organismos aquáticos marinhos produzidos na costa brasileira. Ele também destacou as principais razões para se fomentar o crescimento da atividade aquícola no país. “A pesca extrativa representa o declínio dos estoques e o aumento do esforço pesqueiro, ou seja, mais trabalho e menos peixe”. O aumento da população mundial alerta para a necessidade do crescimento na produção de alimentos de alta qualidade e baixo impacto ambiental. A aquicultura mundial tem crescido em média 15%, enquanto a pesca extrativa apresenta um declínio de -2,6% ao ano. “Se a pesca continuar da maneira que se encontra hoje, irá entrar em colapso até o ano de 2048”, acrescenta Sanches.

 

Fonte: Da Terra Agro, Out/2017 (http://www.daterraagro.com.br)
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